2 de fev de 2017

#3. Resenha - A Casa das Belas Adormecidas - Yasunari Kawabata

TÍTULO: A CASA DAS BELAS ADORMECIDAS
AUTOR: YASUNARI KAWABATA
N° DE PÁGINAS: 78 (e-book)
GÊNERO: LITERATURA JAPONESA
CLASSIFICAÇÃO: ✰✰✰✰
SINOPSE: Imbuída de um erotismo inusitado, esta obra, escrita em 1961, demonstra a maturidade estilística do autor, que se utiliza sua virtuose descritiva para contar a história de Eguchi, um senhor de 67 anos que freqüenta a "casa das belas adormecidas", uma espécie de bordel onde moças encontram-se em sono profundo, sob efeito de narcóticos. Apesar da idade avançada, o protagonista parte em busca dos prazeres perdidos e se depara com moças virgens, que os visitantes podem tocar, mas são proibidos de corromper. Daí derivam passagens antológicas de rememorações pessoais e fantasia. Kawabata procura desvendar o enigmático universo do corpo feminino em um culto ao belo e ao inalcançável, investigando as dores da solidão a partir da sutileza de um erotismo expressivo, constantemente atravessado por passagens de fina ironia e perturbadora consciência da passagem do tempo, do vazio existencial que permeia as relações humanas.



Eu li o Livro Digital, que tem 78 páginas, no Skoob ele tem 128 páginas.

A marca da escrita de Kawabata é o universo feminino, mais precisamente o que se refere ao corpo e às formas, além da sua beleza e isso fica bem evidente em sua obra.
No livro A casa das belas adormecidas, o autor expõe uma fragilidade do universo masculino, o declínio da vida sexual de um senhor, o Eguchi, de 67 anos, mas de uma forma muito poética, se isso é possível, e o autor mostrou que é. Ele extrai, da dor da perda do prazer juvenil toda a beleza e esplendor contidos no corpo da mulher.
A obra é quase um monólogo, mas que em nenhum momento se torna massante ou chato. A beleza das meninas que servem àquela casa evoca sensações adormecidas e promove um certo "conforto" e reflexão do que pode ser feito quando se chega ao limite imposto pela natureza do homem, e como lidar com isso.
No final, um acontecimento inesperado fecha a história de uma forma trágica. É impossível não se envolver nesse enredo e refletir sobre os processos naturais da vida e de como somos capazes de vivenciá-los de forma tranquila, ou, até que ponto estaremos preparados para o envelhecimento e suas consequências.
Muito lindo e tocante!

Um abraço,

Drica.